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A Evolução dos Serviços em Usinagem



Uma abordagem do ponto de vista do fornecedor de ferramentas.

A única maneira de uma empresa conquistar e manter uma boa participação de mercado é desenvolver um diferencial de competitividade, seja oferecendo algo que seus concorrentes também oferecem, mas que aos olhos do cliente resulta em benefícios superiores; ou oferecendo algo que os concorrentes não podem oferecer, e que o cliente esteja disposto a pagar algum dinheiro extra para obtê-lo.

No passado, as necessidades lideravam o desenvolvimento das tecnologias. Hoje, esta situação se inverteu: há mais tecnologias disponíveis do que necessidades a serem atendidas pelas mesmas. Por meio delas, qualquer novidade é rapidamente copiada e o único modo de manter-se adiante dos concorrentes é ser mais criativo e mais rápido na absorção e uso das tais tecnologias. Como resultado, os produtos são cada vez mais similares e, assim, as empresas são forçadas a investirem estratégias de serviços que as façam mais atraentes quando comparadas a seus potenciais concorrentes. Um modo de perceber isso é notar a evolução das competências necessárias aos profissionais que atuam no segmento de ferramentas de corte para usinagem.

Na década de 1980, o círculo de conhecimento podia ser mais estreito, ou seja, era suficiente conhecer usinagem em si. Estudava-se a situação presente em um determinado processo de usinagem de um cliente em particular. Analisava- -se o conjunto: máquina/ferramenta/ peça e ponderava-se sobre os resultados obtidos com o ferramental em uso e, por meio de um teste comparativo, montavam-se, então, dois relatórios: um técnico e um outro econômico. Não havia muita preocupação em considerar se o número de arestas de corte testadas era estatisticamente suficiente para se validar alguma superioridade obtida. Em geral, testando-se todas as arestas de uma determinada pastilha, contra todas as arestas de uma pastilha concorrente, muitas vezes já era suficiente para se convencer um cliente a promover uma alteração no mix de fornecimento em favor de quem havia feito um teste com resultados mais positivos.

Para executar tais testes, o fornecedor precisava, simplesmente, saber escolher e aplicar ferramentas de corte, ou seja, eleger o porta-ferramentas mais adequado, a pastilha e a respectiva classe de metal duro que, aliada à geometria de quebra-cavacos, proporcionassem uma situação mais favorável. Além disso, devia determinar os novos parâmetros de corte (velocidade, avanço e profundidade) e fazer a aplicação, avaliando também a fixação da peça e da ferramenta, além das condições gerais da máquina. Muitos testes eram feitos em função mais do interesse do fornecedor em vender, do que da real necessidade do cliente em comprar.

Neste período, havia uma série de barreiras político-econômicas que protegiam a indústria local, impedindo a entrada de produtos importados. Existia disputa por espaço no mercado, mas não tão acirrada. A disparidade em termos de desempenho e qualidade das ferramentas era bem mais larga entre os concorrentes. O fornecedor que possuía superioridade em qualidade de produtos não tinha muita dificuldade em praticar preços mais elevados. As empresas podiam pagar mais pelos insumos gastos na produção, pois, entre outros fatores, com uma inflação anual acima de três dígitos, não era muito difícil repassar todo custo de produção extra para o consumidor final, já que este não tinha muitos recursos para ponderar sobre o valor real que um determinado produto deveria custar. Na época, chegamos ao ponto de um liquidificador de brinquedo custar mais que um liquidificador de verdade. Quase chegamos ao ponto de a última pessoa da fila do cinema pagar mais pelo ingresso do que a primeira havia pago, tão rápida era a desvalorização da moeda. Em um ambiente de altíssima inflação, toda a perda de eficiência em produtividade e custos de manufatura era mascarada pelos ganhos em aplicações financeiras e correções monetárias.

Outro ponto é que as empresas tanto locais, quanto as poucas multinacionais aqui instaladas, acostumadas às leis protecionistas e ao mercado fechado às importações, não se empenhavam em inovar e tão pouco em produzir com mais eficiência e qualidade, pois o mercado era suficientemente grande para lhes garantir bons ganhos. Como não havia tantos competidores, no fim cada um adotava um posicionamento de mercado e todos saiam ganhando, menos o povo.

A falta de opções obrigava as pessoas a consumirem produtos ultrapassados em relação ao que se poderia encontrar em mercados mais avançados, como o da Europa e o dos Estados Unidos, e, às vezes, pagando preços proporcionalmente mais elevados. Algumas multinacionais instaladas no país só investiam em suas plantas produtivas e atualizavam suas linhas de produto nos mercados abertos, onde precisavam enfrentar uma concorrência mais ampla.

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Na década de 90, o país finalmente consegue controlar a hiperinflação. As empresas e o povo começaram a ter melhores condições de perceber o real valor de bens e serviços. Este período coincide com a abertura do mercado para as importações e também para qualquer empresa estrangeira que desejasse produzir ou vender seus bens e serviços no Brasil, agora sob leis muito menos protecionistas. O governo percebeu que a proteção de mercado exagerada e a falta de competição eram nocivas, pois tornavam as empresas acomodadas e o país tendia ao atraso tecnológico.

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1 comentário

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  1. Juliano Oliveira

    Muito interessante esse ponto de vista, sou estudante de Engenharia Mecânica. Tudo que foi dito e analisar é fundamental para meu conhecimento profissional. Fazendo esse levantamento percebemos que o mercado está se estreitando, e tudo é tão rápido hoje. Todo dia tem um lançamento. Ontem era um carro que consumia menos, hoje é pensando no meu ambiente para sua produção, e amanhã? muitas tecnologias ainda viram. É bom refletir


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