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Indústrias Romi – A empresa que já instalou mais de 150 mil máquinas no mercado



Além da indispensável qualidade dos produtos e dos serviços, a proximidade com o mercado e o atendimento direto ao cliente garantiu seu enorme sucesso no segmento de máquinas-ferramenta.

Com uma história que se confunde com o desenvolvimento da indústria no país, a empresa foi fundada em 1930, em Santa Bárbara d’Oeste – no interior do Estado de São Paulo – por Américo Emílio Romi, a partir de uma oficina de reparo de automóveis. No desenrolar da Segunda Grande Guerra, a importação de bens industriais, tais como máquinas, equipamentos ou mesmo peças de reposição, tornou- -se impraticável. Como havia muito serviço a ser feito que dependia das máquinas, essas não podiam parar. Assim, quando alguma manutenção necessitava de uma reposição de peças, a situação se complicava. Isso acabou servindo de incentivo para que Américo Romi, dotado de grande espírito empreendedor, produzisse ele mesmo as peças necessárias aos consertos de suas máquinas.

Desmontando, analisando o que precisava ser reparado, medindo, redesenhando, reconstruindo; aos poucos, foi adquirindo o know-how para que, algum tempo depois, estivesse apto a construir uma máquina inteira. Percebeu que as soluções que desenvolveu para si poderiam também servir a outros. Foi assim que nasceu o primeiro torno horizontal de ferramentaria 100% nacional, o Romi-Isetta, além de um trator completamente nacional chamado “Toro”. Atualmente, os produtos e serviços Romi são consumidos tanto no mercado nacional, quanto no mercado externo. Em termos globais, é um dos maiores fabricantes dos segmentos em que atua. Produz tornos horizontais e verticais, centros de torneamento, centros de usinagem horizontais e verticais e mandrilhadoras; máquinas para processamento de plásticos (injetoras, sopradoras e sopradoras para PET); peças de ferro fundido cinzento, nodular e vermicular, fornecidas brutas ou usinadas.

É uma Companhia de capital aberto, com ações negociadas na BM&F Bovespa (Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo), e que produz equipamentos utilizados por empresas dos mais variados setores industriais como o automotivo, energia, bens de consumo, infraestrutura, máquinas e implementos agrícolas, aeronáutico e de bens de capital, entre outros. A empresa conta com mais de 30 pontos de atendimento ao cliente no Brasil e atuação comercial em mais de 20 países, com destaque para presença nos Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, França, Itália, México, Argentina, Colômbia e Peru. Com clientes em mais de 60 países, a empresa já produziu em Santa Bárbara D’Oeste, no interior da cidade de São Paulo, é constituído por nove unidades fabris, totalizando mais de 140 mil m² de área construída, cuja capacidade de produção – considerando- -se dois turnos de trabalho por dia – é de 350 máquinas CNC (Comando Numérico Computadorizado) por mês, contando com o número aproximado de 2000 funcionários. Entre as diversas plantas do complexo, destaca-se a sala ultralimpa, que possui temperatura, umidade e partículas de poeira em suspensão rigidamente controladas, com o propósito de assegurar máxima precisão à montagem de componentes críticos das máquinas que produz. As principais áreas de negócios da empresa e seus percentuais, aproximados, de contribuição no faturamento são: Máquinas-ferramenta (65%), Máquinas para plástico(15%), Fundidos & Usinados (15%) e Serviços (5%).

Com o propósito de expandir sua participação no mercado internacional de máquinas, em 22 de dezembro de 2011, a Romi adquiriu a totalidade das ações representativas do capital social da Burkhardt+Weber (B+W), por € 20,5 milhões. Fundada em 1888, a B+W é uma importante e tradicional fabricante alemã de máquinas-ferramenta. Possui operação industrial na cidade batizado de “Imor”, anagrama do nome da própria indústria, pois, com receio de possíveis perseguições por conta da guerra e do sobrenome italiano, decidiram batizar a máquina com o nome Romi ao contrário.

Atender ao cliente diretamente elimina os filtros que poderiam criar distorções entre o que ele deseja e o que está sendo ofertado.

Como empreendedor, Américo Romi fez ainda algumas tentativas em outras frentes antes de se firmar no ramo de máquinas operatrizes. Foi, por exemplo, fundador da primeira indústria genuinamente brasileira a instalar uma linha de produção e fabricar um automóvel completo em solo nacional, mais de 150 mil máquinas, das quais aproximadamente 30 mil foram destinadas à exportação, principalmente para os Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha, México, Argentina e demais países do Mercosul. Ao todo, as exportações representam cerca de 15% do seu faturamento. Aproximadamente 5% da receita operacional líquida da empresa são investidos em pesquisa e desenvolvimento, o que a levou a ter patentes registradas também nos principais mercados do mundo.

O parque industrial Romi, instalado de Reutlingen, próxima a Stuttgart, na Alemanha e vende seus produtos diretamente e através de representantes comerciais em seu país de origem e em diversos outros países, inclusive por meio da subsidiária chinesa, em que a B+W detém participação acionária de 30% do capital social. Foi pioneira no desenvolvimento de máquinas com controle numérico no final da década de 50 e é reconhecida mundialmente pelo alto grau de sofisticação e tecnologia dos seus produtos. Em seu portfólio, destacam-se os centros de usinagem horizontais de grande porte e máquinas para aplicações especiais, de 4 e 5 eixos, com alta precisão e produtividade, destinados ao atendimento de setores industriais relevantes como o automotivo comercial, aeronáutico, de energia, dentre outros.

Para Hermes Alberto Lago Filho, diretor da Unidade de Negócios de Máquinas-ferramenta da Romi, o êxito nas operações de usinagem está diretamente ligado a três fatores: máquina, ferramenta e operador. O mercado atual está bastante maduro na questão ferramenta, pois todos os maiores fornecedores mundiais deste insumo atuam hoje em solo brasileiro, fornecendo soluções modernas e competitivas à indústria da manufatura. Assim mesmo, até na questão ferramentas, a empresa pôde contribuir, quando após anos de pesquisa e desenvolvimento lançou, em 1995, o sistema Romicron, indicado para usinagem de furos técnicos com precisão milesimal. Atualmente, esse sistema pertence à Kennametal que, em 2009, comprou todos os seus direitos de produção e comercialização, após anos de parceria com a Romi, quando então se envolviam apenas com a comercialização.

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Hoje, a empresa concentra esforços nos outros dois fatores mencionados por Hermes, ou seja, na fabricação de máquinas de elevada concepção tecnológica e na formação de mão de obra especializada, pois tem consciência de que uma boa máquina nas mãos de um operador medíocre não renderia o máximo de seu potencial. A empresa está convicta de que investir na capacitação técnica de programadores e operadores é investir no futuro da própria companhia. Em razão disso, mantém uma cooperação estreita com o Senai, onde milhares de alunos já formados e outros tantos em formação aprendem, se especializam e dão início em suas carreiras profissionais operando máquinas Romi. Levando-se em conta que a empresa já colocou no mercado mais de 150 mil máquinas, é difícil algum operador que tenha adquirido experiência e intimidade com suas linhas de produtos ficar sem emprego! De certo modo, pode-se dizer que o bem-estar de muitos lares vem sendo gerado por pais de família que atuam na indústria da usinagem e passam o ano arrancando cavacos e gerando peças e componentes, cada um deles em uma dessas milhares de máquinas.

Ainda sobre a questão da capacitação, a empresa inaugurou em abril deste ano, o novo Centro de Difusão de Tecnologia (CDT). Ocupando uma área de 510 m², anexa à unidade fabril F16, onde é feita a montagem de máquinas- -ferramenta. O centro abriga 14 máquinas – 11 dedicadas à usinagem e três para a injeção de plásticos. Além de servir como show-room para a exposição dos produtos aos visitantes, o espaço foi planejado para oferecer vivência operacional durante os treinamentos e workshops, cujos participantes, em sua maioria, vêm do ambiente externo (clientes, professores, fornecedores etc.), podendo eventualmente atender também o público interno (vendedores, assistentes técnicos, distribuidores etc.).

Ao longo dos processos de vendas de máquinas, algum cliente mais crítico poderá exigir testes de performance e capacidade antes de se decidir pela compra. Nesses casos, o CDT também estará apto a tais demandas. Dotado de várias salas de reunião e auditório, será possível promover eventos simultâneos, aumentando, assim, a capacidade da empresa de atender às necessidades de treinamento de modo geral.

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Hermes ressaltou que, ao comprar uma máquina, o cliente precisa que os respectivos operadores sejam treinados a fim de que todos os resultados planejados sejam alcançados, principalmente nos casos de introdução de um modelo de máquina que o cliente irá operar pela primeira vez. O novo Centro de Difusão de Tecnologia atenderá essas demandas de forma objetiva, prática, confortável e eficiente. No atual momento, a companhia vem treinando uma média de 40 pessoas por semana, o que resulta em, aproximadamente, 2000 treinados por ano.

O diretor enfatiza que o mercado para as indústrias que vivem de usinagem está cada vez mais competitivo. O grande desafio é conseguir fabricar, localmente, peças e componentes a custos menores do que importá-los prontos de algum fornecedor externo, esteja este na China ou em qualquer outro país. Deste modo, para preservar o seu próprio mercado, a Romi tem investido muito no desenvolvimento de soluções inteligentes que permitam ao cliente, por exemplo, montar uma célula de manufatura composta por tornos verticais e alimentada por robô, ou uma máquina CNC de 5 eixos programáveis, capaz de gerar qualidade e precisão sob um regime de produtividade máxima a custos mínimos que, ao mesmo tempo, exija um nível de investimentos que os clientes possam absorver.

Hermes relata que em décadas passadas, em períodos de efervescência da indústria da manufatura no Brasil, havia motivação suficiente para que muitos empreendedores entrassem no mercado de peças usinadas. Com isso, 80% das máquinas Romi eram vendidas para empresas que estavam comprando sua primeira ou, no máximo, sua segunda máquina CNC. De 2008 para cá, no entanto, o cenário econômico e industrial mudou muito o perfil dos compradores. Atualmente, a maioria das vendas se destina àquelas empresas que precisam atualizar seu parque fabril, hoje às margens da obsolescência por conta do rápido avanço das tecnologias de construção e programação de máquinas. Neste sentido, o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES veio em boa hora e promoveu certo impulso à reposição de máquinas graças à oferta de financiamento a juros baixos, contudo, se a economia não evolui, muitos empresários não se sentem encorajados a fazer quaisquer investimentos.

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Outros compradores são clientes que, apesar da desaceleração da economia de modo geral, atuam em segmentos que têm experimentado algum aquecimento e, portanto, compram máquinas para ampliar sua capacidade produtiva. A retomada de alguns segmentos da indústria de base permitiu à empresa vender mais de 150 máquinas pesadas de 2008 para cá. Entre essas, há máquinas, como o torno ROMI VT 5000, que pesa cerca de 200 toneladas, para se ter uma ideia de grandeza, e pode usinar peças de até 7 metros de diâmetro e 90 toneladas de peso. De todo modo, o grande volume de vendas da empresa se faz com as máquinas mais leves, das linhas Centur, GL e Centros de Usinagem. Embora o nome Romi seja muito ligado aos tornos e centros de torneamento CNC, aproximadamente, 30% do faturamento da empresa é proveniente das vendas de Centros de Usinagem.

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Para o executivo, a razão do sucesso da Romi no mercado nacional é que o êxito é uma condição sine qua non, pois a empresa não tem uma matriz para socorrê-la nos momentos difíceis, pois a matriz e o principal volume de negócios estão aqui. Como fatores críticos de sucesso, Hermes ressalta a ética nos negócios, o respeito aos compromissos assumidos, a proximidade com o mercado e o fato de possuírem uma estrutura própria de comercialização, ou seja, não há filtros, quando o cliente fala ele é ouvido diretamente pela Romi. Quanto aos principais desafios, o diretor crê que esses estão ligados à falta de um plano diretor do governo que enxergue a importância da indústria de máquinas, para que o país não seja um futuro refém de quem detenha as tecnologias de produção. Para isso, seria imprescindível rever a política de impostos, para que pudesse desonerar o famoso custo Brasil, além de medidas que incentivassem as exportações.

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